Dexter in 2006 Downbeat Readers Poll

In good company:
Another Feeling
CD-mates, Thiago de Mello ranked as percussionist AND composer,
and Ithamara Koorax is listed high as vocalist. (Portuguese below)


2006 Downbeat Readers Poll
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em Português:

Edição 145 - dezembro/06

Brasileiros entre os melhores do mundo
Mais uma vez os artistas brasileiros brilham na eleição dos Melhores do Jazz em 2006, publicada pela revista norte-americana Down Beat, considerada a mais importante publicação de jazz em todo o mundo. Na edição especial de dezembro, que traz o resultado da votação dos leitores publicada há 71 anos, Ithamara Koorax (presente na lista desde 2000) e Luciana Souza brilham entre as melhores cantoras de 2006, respectivamente em sexto e sétimo lugares, à frente de Sheila Jordan, Norah Jones e Nancy Wilson. O cantor João Gilberto, o trompetista Claudio Roditi e o trombonista Raul de Souza aparecem em décimo lugar em suas respectivas categorias. Thiago de Mello marca presença entre os melhores compositores (em décimo) e percussionistas (quinto lugar), pelo aclamado CD "Another Feeling", em duo com Dexter Payne (oitavo lugar entre os clarinetistas). Na categoria de percussão aparecem também Airto Moreira (segundo lugar) e Marcelo Salazar (nono). O selo JSR, do produtor Arnaldo DeSouteiro, ficou entre as melhores gravadoras de jazz pelo sexto ano consecutivo, desta vez na quinta posição, atrás apenas dos poderosos selos Blue Note, ECM, Verve e Concord. Os assinantes da Down Beat puderam votar até o dia 1º de setembro. Todos os dados foram checados por uma empresa de auditoria independente que contabiliza os votos, em esquema igual ao da premiação do Grammy.







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Os melhores da DownBeat 2006

   	
Os melhores da DownBeat 2006

Pela primeira vez, o Brasil emplaca duas cantoras – Ithamara Koorax e Luciana Souza – entre as 10 melhores do mundo na votação dos leitores da DownBeat. Jimmy Smith e Sonny Rollins emplacaram os grandes prêmios.

15/11/2006 - Wilson Garzon, baseado em informações da DownBeat de dezembro.

A mais importante e tradicional votação dos “melhores do ano” no mundo do jazz – a dos leitores da revista DownBeat, considerada a "Bíblia do jazz" – chega ao seu 71º ano. Como sempre acontece, cercada de grande expectativa por parte de músicos, gravadoras, empresários e jazzófilos de todos os cantos do mundo. Afinal, seu resultado tem grande impacto no mercado, ao refletir a popularidade dos artistas em questão. “Continua sendo o maior termômetro da cena jazzística mundial”, garante o famoso crítico norte-americano Ira Gitler, afirmando que a votação dos leitores acaba tendo maior peso do que a dos próprios críticos.

“O Critics Poll tem um perfil bem mais conservador e esnobe, enquanto o Readers Poll revela uma posição liberal, menos purista", comenta o francês Philipe Blanchet “Tanto que Antonio Carlos Jobim somente entrou para o “Hall of Fame” da DownBeat graças à votação dos leitores, em 2002. Se dependesse dos críticos, permaneceria ignorado até hoje. O mesmo aconteceu em 2005 com Herbie Hancock, adorado pelos leitores mas sempre acusado de comercial pelos críticos”.

Todos os assinantes puderam votar até o dia 29 de agosto, sendo preciso preencher as cédulas de votação com informação completa: nome, endereço, telefone e até e-mail. Todos os dados foram checados por uma empresa de auditoria independente que contabiliza os votos, em esquema igual ao do Grammy. Na votação de 2006, publicada na edição de dezembro, que chega às bancas no dia 20 de novembro, brilham vários brasileiros de prestígio internacional.

Vozes consagradas

Pela primeira vez na história da DownBeat, aparecem duas brasileiras entre as dez melhores cantoras do mundo: a carioca Ithamara Koorax em sétimo lugar (a mesma posição de John Pizzarelli entre os cantores) e a paulista Luciana Souza em oitavo. Proeza que até então nunca tinha acontecido na votação dos leitores nem na eleição dos críticos. Ithamara, atualmente radicada em Los Angeles, vem marcando presença na lista desde 2000, quando lançou o premiado disco “Serenade in Blue”, chegando a alcançar o quarto lugar em 2002. No ano passado, ficou em oitavo. “É sempre uma alegria e uma honra ver o meu trabalho reconhecido mundialmente”, resume Ithamara direto de Berna, onde se apresentou ontem no Mahogany Hall. Depois de temporadas em vários países da Ásia (Coréia do Sul, China, Taiwan, Hong Kong e Tailândia) ela atualmente realiza uma longa turnê européia. Esta semana faz mais quatro apresentações na Suíça, e os ingressos estão esgotados há três meses.

Cassandra Wilson foi a vencedora entre as cantoras, seguida por Dianne Reeves, Diana Krall, Karrin Allyson, Dee Dee Bridgewater, Patrícia Barber, Ithamara (cuja compilação “The Best of Ithamara Koorax” já ultrapassou a marca de 120 mil cópias vendidas) e, em oitavo lugar, Luciana Souza, radicada em Nova Iorque. Curiosamente, veteranas como Carol Sloane, Anita O’Day, Chris Connor, Helen Merrill e Abbey Lincoln sumiram da lista. E a controvertida Jane Monheit, que já veio várias vezes ao Brasil, não recebeu um voto sequer, assim como Norah Jones, cujo novo disco “Not too late” teve lançamento adiado para janeiro de 2007, impedindo-a também de ser indicada este ano para concorrer ao Grammy.

Entre os cantores, o páreo também foi duro, com Kurt Elling superando Mark Murphy (segundo colocado), o octogenário Tony Bennett (terceiro) e Andy Bey (quarto). O papa da bossa nova, João Gilberto, sétimo lugar em 2003, reapareceu este ano em décimo-primeiro lugar. Ao ser informado da notícia no Japão, por onde realiza aclamada excursão, limitou-se a sorrir e a comentar com seu usual minimalismo verbal: “Bom, muito bom”.

Ilustres patrícios

Há trinta e dois anos, devido ao sucesso de Airto Moreira, foi criada a lista de percussão. “Até então, eu concorria na categoria batizada de miscellaneous, mas já estava incomodando gente como Rahsaan Roland Kirk e Toots Thielemans, então os leitores sugeriram a criação de uma categoria específica”, revelou certa vez o catarinense, que este ano aparece em segundo lugar, atrás somente de Poncho Sanchez. Zakir Hussain chegou em terceiro, com o saudoso Ray Barretto em quarto e o amazonense Thiago de Mello em quinto. Outro brasileiro, Marcelo Salazar, debutou na DownBeat em nono lugar, devido ao sucesso do disco “The Tropical Lounge Project”.

Por conta do elogiado CD “Another Feeling” – gravado ao lado do virtuose Dexter Payne, oitavo lugar entre os clarinetistas – Thiago de Mello cravou outro tento significativo ao ser apontado entre os dez melhores compositores da atualidade, ao lado de feras como a campeã Maria Schneider (recente atração do TIM Festival), Carla Bley, Wayne Shorter (vencedor como sax-soprano), Randy Weston e Wynton Marsalis (terceiro lugar entre os trompetistas, com Dave Douglas em primeiro e o brasileiro Claudio Roditi, radicado há 30 anos nos EUA, em décimo). Também em décimo, entre os trombonistas, outro patrício consagrado internacionalmente, o mestre Raul de Souza, hoje vivendo na França.

Vitórias previsíveis

Bastante previsível foi a entrada do lendário organista Jimmy Smith (falecido em fevereiro de 2005) para o “Hall of Fame”. No piano e nos teclados, duas barbadas: Keith Jarrett e Joe Zawinul, respectivamente. Dave Holland, que tocou este ano em Ouro Preto, mais uma vez roubou a cena com três prêmios, vencendo não apenas como baixista mas também como melhor grupo e big-band. Sonny Rollins não deixou por menos, emplacando “Without A Song” como melhor álbum, além de faturar as categorias de “jazz artist” e saxofone-tenor. B.B. King, que estará excursionando pelo Brasil em dezembro (dia 7 ele se apresenta no “Vivo Rio”), venceu como artista de blues.

“Thelonious Monk Quartet with John Coltrane at Carnegie Hall” foi apontado melhor "álbum histórico", com a caixa “The Cellar Door Sessions” de Miles Davis, incluindo participação de Airto Moreira, ficando em segundo lugar. Bill Frisell venceu como guitarrista, Jack DeJohnette como baterista, Gary Burton como vibrafonista, Joey DeFrancesco como organista, e o gaitista belga Toots Thielemans novamente faturou a categoria “miscellaneous instruments”.

Nos sopros, além dos já citados, venceram Phil Woods (sax alto), James Carter (barítono), James Moody (flauta), Steve Turre (trombone) e Don Byron (clarinete). Sediada em Los Angeles, a Jazz Station Records (JSR), comandada por Arnaldo DeSouteiro, colaborador do Tribuna BIS, ficou entre as dez melhores gravadoras de jazz pelo sexto ano consecutivo, desta vez na quinta colocação – a vencedora em 2006 foi novamente a Blue Note. “Ampliamos o cast, investimos também em artistas estrangeiros como Dexter Payne e Jurgen Friedrich, apostamos em novos talentos como a dupla Anna Ly & Marcio Correia, e dobramos os investimentos em turnês internacionais. Tudo isso apesar da crise, que até agora pouco nos afetou”, afirma o produtor.

“Nosso público-alvo é de alto poder aquisitivo e muito exigente, pouco interessado em modismos tipo mp3, iPods e Zunes da vida. No mercado de jazz, os consumidores adoram ler textos de contracapa, fazem questão de uma apresentação gráfica luxuosa, querem ter os discos originais. De qualquer modo, procuro estar sempre me renovando esteticamente, gosto de surpreender o mercado, ao invés de ficar insistindo numa mesma tendência. Costumo dizer que tenho instinto de pioneiro e gosto de segui-lo porque acaba sempre dando certo. O reconhecimento pelos leitores da DownBeat é uma prova concreta”.